- Atenção: Spoilers do começo ao fim!
Um pouco atrasada, enfim, eu terminei de ver a 9ª temporada de Grey's Anatomy.
A temporada contou com 24 episódios e, para mim, começou um tanto confusa e desafinada com o ritmo normal - o que é totalmente justificável pelo estardalhaço ocorrido no final da 8ª temporada e da qual ainda não me recuperei completamente.
Como era de se esperar, a fórmula mágica que faz da série um grande e apaixonante sucesso, foi aos poucos funcionando e recolocando tudo no lugar a cada novo episódio. E quando a gente acha que Shonda já usou todo o seu estoque de dramaticidade e expertise, ela tira um Hospital-em-frangalhos da manga e tudo começa a se desenhar pra um novo e delicioso drama - muito além das catástrofes - ao qual já estamos acostumados e que tanto amamos. O que pudemos ver nesta temporada? Ora, o que nos prende a Grey´s: Dilemas de grupo - a quase falência do hospital, dilemas individuais - os traumas e necessidades de cada personagem. Tudo isso misturado, açucarado e apimentado.
O que me faz ter que admitir que a Shonda Rhimes sabe conduzir com maestria um roteiro pesado e tenso e criar soluções - por vezes mirabolantes, descabidas e loucas - pra alimentar os problemas (insira aqui sinônimos para mirabolantes, descabidos e loucos) que ela mesma criou.
Enquanto eu assistia à temporada fui acompanhando os comentários em blogs e neles imperava o mimimi de que a série perdeu a sua essência - médicos em seus dilemas profissionais e pessoais. Que aquela puerilidade e o sentimento de 'galera-um-por-todos-e-todos-por-um' fora suprimido pelo excesso de drama e catástrofes. Eu também reclamei a respeito e de forma bem consciente de que eles precisavam evoluir, do contrário, o mimimi seria de que eles sofrem da Síndrome Perterpanesca.

Eu somente acho que, para fazê-los evoluir, Shonda não precisava matar geral, né?
Eu me revoltei imensamente com a queda do avião, achei aquelas mortes tão desnecessárias, mas aí, quando eu vi aquele diálogo entre Arizona e Callie no Season Finale - que briga memorável, quanta dor e profundidade, quanta verdade e beleza! Quando, ao chorar junto com a Callie e ao ouvir os berros da Arizona, enfim, entendi muita coisa e decididamente eu falei pra mim mesma: Menina, para que conflitos como este sejam criados, a Shonda pode derrubar quantos aviões quiser. E restabeleci a minha fé nos grandes autores de séries dramáticas.
Ao chegarmos ao Season Finale - cabe aqui dizer que a Shonda sabe como ninguém torturar o seu público. Quem mais consegue criar um final de temporada tão angustiante? Eu só conseguia pensar em quem a psicopata* matará dessa vez? Enfim, a resposta aos comentários negativos a esta temporada veio de forma belíssima no último episódio... Ainda arrepio de lembrar a forma como a Meredith chama a Cristina e diz: "- É o Karev. Ele precisa de nós". Chupa povinho do mimimi!
A cena em que Kepner, Callie, Owen, Avery e demais correm em direção ao ônibus acidentado, tem muitas chances de virar um quadro na minha sala. Já a cena em que Cristina corre ao lado do Derek pelo corredor a fim de alcançar a Mer, já tem meu aval para ser canonizada e pode seguir rumo a Congregação da Causa dos Santos, burlando todas as burocracias.
A gloriosa Bailey resolvendo o problema dos remédios inalcançáveis pela chave que devia abrir e não abre, me arrancou muitos: É ISSO AI, TU É FODONA MESMO!!!
Já com a 'Feliz' (A Cristina que há em mim não sabe o nome dela, rs) dizendo: "A Drª Grey está em cirurgia e ela precisa de vc. Ela não está operando, ela está sendo operada." - e a pronta reação da Bailey correndo como se o próprio Deus a tivesse chamado e, com isso, esquecendo o seu próprio trauma, é arrepiante e requenta algumas das minhas fés.
Sobre o parto da Mer, nada a comentar, nenhuma surpresa. Ela continua sendo a mocinha sofrida que tem um estoque de tempestades perfeitas alojadas em seu calcanhar.
Derek, meu bem, te prometo mares calmos, ventos quentes e sei fazer café e bolo de chocolate, ok? Qualquer coisa... !
Cristina - a 'ouvidora' de corações - que ouve muito bem o seu e deixa que esta seja a voz que impera, que importa, que grita mais forte e ensurdece inclusive a voz do seu amor pelo Owen. Cristina, eu sempre quis ser você e sigo te amando!
Pra terminar eu só quero dizer que a Bailey não merece que o Webber não acorde. Nós também não. Por isso, Shonda, esperarei confiante pelo momento de vê-lo acordando. Afinal, ele apenas tomou um choquinho sem maiores complicações, certo?
*Desculpem eu ainda não me recuperei da morte do Sloan e da Lexie.