quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Oceano no Fim do Caminho

O Oceano no Fim do Caminho



Acabei de ler: O Oceano no Fim do Caminho 

O autor trata de temáticas bem profundas e delicadas de uma maneira muito sutil e inteligente. Ele transita entre o real e o sobrenatural - nem sei se posso definir assim - de uma forma muito interessante. Em nenhum momento sabemos se aquelas histórias relembradas pelo personagem principal, são sobrenaturais ou imaginárias. Pode parecer confuso no início, mas é fabuloso!

Numa das passagens do livro, um dos personagens diz algo como: tudo o que é acontece, acontece de várias formas a depender de quem está envolvido com o acontecimento. Eu entendi que, a minha percepção de um fato nunca será igual a sua porque eu e você somos pessoas diferentes. 

O livro nos convida a visitarmos o nosso eu-criança, nossas aventuras, medos e perspectivas de quando temíamos ficar de castigo no quarto, sozinhos. Com esta leitura, você será convidado a refletir se o adulto que você se tornou hoje é merecedor da criança que você foi ontem.

Filme - Medianeiras







Eu sou o tipo de pessoa que quando descobre algo legal sai tentando contaminar os amigos e conhecidos com o seu achado. Quando alguém faz o mesmo comigo eu me sinto verdadeiramente feliz. Tenho uma amiga que me deixa constantemente verdadeiramente feliz - me indicando livros, filmes, músicas e tudo de mais lindo - Deise, obrigada! 

Recentemente ela me indicou o filme  Argentino 'Medianeras' com a seguinte premissa: "A Poesia visual é linda!" Não tardei em conferir!

O Filme começa fazendo carinho aos ouvidos e aos olhos com um texto narrado por Martin - um dos protagonistas - enquanto fotos da cidade de Buenos Aires sentimentalizam ainda mais o que ele diz. O texto inicial traz o ritmo à película. É intenso, é ácido, é verdadeiro, é lindo!

Transcrevi aqui, vejam:

"Buenos Aires cresce descontrolada e imperfeita, é uma cidade superpovoada em um país deserto, uma cidade em que se erguem milhares e milhares e milhares e milhares de edifícios sem nenhum critério. Ao lado de um muito alto, existe um muito baixo, ao lado de um racionalista, um irracional, ao lado de um de estilo francês há outro sem estilo algum. Provavelmente estas irregularidades nos refletem perfeitamente, irregularidades estéticas e éticas.
Estes edifícios que se sucedem sem nenhuma lógica demonstram uma total falta de planejamento. Exatamente igual à nossa vida, vamos vivendo sem ter a mínima idéia de como queremos ser. Vivemos como se estivéssemos de passagem por Buenos Aires. Somos os inventores da cultura do inquilino. Os edifícios são cada vez menores, para dar lugar a novos edifícios, menores ainda. Os apartamentos se dividem em ambientes, e vão desde os excepcionais 5 ambientes com varanda, sala de jogos, dependência de empregados, depósito, até a quitinete, ou caixa de sapatos.Os edifícios, como quase todas as coisas pensadas pelo homem são feitos para nos diferenciar uns dos outros. Existe uma fachada frontal e posterior, e os pavimentos baixos e os altos. Os privilegiados são identificados com a letra A, excepcionalmente a B, quanto mais progride o alfabeto menos categoria tem o apartamento. As vistas e a luminosidade são promessas que raramente condizem com a realidade. O que se pode esperar de uma cidade que vira as costas para o seu Rio?Estou convencido de que as separações e os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais de cabo, a falta de comunicação, a falta de desejo, a abulia, a depressão, os suicídios, as neuroses, os ataques de pânico, a obesidade, as contraturas, a insegurança, o estresse e o sedentarismo são responsabilidade dos arquitetos e empresários da construção. Desses males, exceto o suicídio, eu padeço de todos. " 



Eu não colocaria Medianeras na sessão de filmes românticos! Durante quase toda a narrativa não vemos romance, vemos solidão, desolação e tentativas frustradas de romances. Medianeras faz questionamentos existenciais, amorosos e sociais e critica num tom deliciosamente debochado - do jeitinho que eu gosto - a vida moderna. O discurso não é nada clichê, nem apela pro emotivo gratuito - embora eu tenha me emocionado e ido às lágrimas.

Além disso, o filme nos faz adquirir uma empatia quase que inevitável com os personagens nos fazendo querer interagir com eles. Tenho certeza que quem assistir também terá vontade de fazer companhia à Mariana ou de gritar pro Martin: Ei, olha pro lado, essa garota é muito legal! 

O filme é uma coprodução espanhola e realmente, 'a poesia visual é linda', o texto é belíssimo e a trilha sonora também! Destaque para True Love Will Find You in The End”, de Daniel Johnston e  “Ain’t no Mountain High Enough” de, Marvin Gaye.

Título Original: Medianeras


Duração: 1h 35min

País/Ano: Argentina/Espanha/Alemanha/2011

Direção: Gustavo Taretto

Roteiro: Gustavo Taretto

Fotografia: Leandro Martínez


Quer um conselho? Assista ao filme!

. Fabi Anselmo




9ª temporada de Grey's Anatomy



- Atenção: Spoilers do começo ao fim!

Um pouco atrasada, enfim, eu terminei de ver a 9ª temporada de Grey's Anatomy. 
A temporada contou com 24 episódios e, para mim, começou um tanto confusa e desafinada com o ritmo normal - o que é totalmente justificável pelo estardalhaço ocorrido no final da 8ª temporada e da qual ainda não me recuperei completamente. 

Como era de se esperar, a fórmula mágica que faz da série um grande e apaixonante sucesso, foi aos poucos funcionando e recolocando tudo no lugar a cada novo episódio. E quando a gente acha que Shonda já usou todo o seu estoque de dramaticidade e expertise, ela tira um Hospital-em-frangalhos da manga e tudo começa a se desenhar pra um novo e delicioso drama - muito além das catástrofes - ao qual já estamos acostumados e que tanto amamos. O que pudemos ver nesta temporada? Ora, o que nos prende a Grey´s: Dilemas de grupo - a quase falência do hospital,  dilemas individuais - os traumas e necessidades de cada personagem. Tudo isso misturado, açucarado e apimentado.

O que me faz ter que admitir que a Shonda Rhimes sabe conduzir com maestria um roteiro pesado e tenso e criar soluções - por vezes mirabolantes, descabidas e loucas - pra alimentar os problemas (insira aqui sinônimos para mirabolantes, descabidos e loucos) que ela mesma criou. 

Enquanto eu assistia à temporada fui acompanhando os comentários em blogs e neles imperava o mimimi de que a série perdeu a sua essência - médicos em seus dilemas profissionais e pessoais. Que aquela puerilidade e o sentimento de 'galera-um-por-todos-e-todos-por-um' fora suprimido pelo excesso de drama e catástrofes. Eu também reclamei a respeito e de forma bem consciente de que eles precisavam evoluir, do contrário, o mimimi seria de que eles sofrem da Síndrome Perterpanesca. 


Eu somente acho que, para fazê-los evoluir, Shonda não precisava matar geral, né? 
Eu me revoltei imensamente com a queda do avião, achei aquelas mortes tão desnecessárias, mas aí, quando eu vi aquele diálogo entre Arizona e Callie no Season Finale - que briga memorável, quanta dor e profundidade, quanta verdade e beleza! Quando, ao chorar junto com a Callie e ao ouvir os berros da Arizona, enfim, entendi muita coisa e decididamente eu falei pra mim mesma: Menina, para que conflitos como este sejam criados, a Shonda pode derrubar quantos aviões quiser. E restabeleci a minha fé nos grandes autores de séries dramáticas.

Ao chegarmos ao Season Finale - cabe aqui dizer que a Shonda sabe como ninguém torturar o seu público. Quem mais consegue criar um final de temporada tão angustiante? Eu só conseguia pensar em quem a psicopata* matará dessa vez?  Enfim, a resposta aos comentários negativos a esta temporada veio de forma belíssima no último episódio... Ainda arrepio de lembrar a forma como a Meredith chama a Cristina e diz: "- É o Karev. Ele precisa de nós". Chupa povinho do mimimi! 


A cena em que Kepner, Callie, Owen, Avery e demais correm em direção ao ônibus acidentado, tem muitas chances de virar um quadro na minha sala. Já a cena em que Cristina corre ao lado do Derek pelo corredor a fim de alcançar a Mer, já tem meu aval para ser canonizada e pode seguir rumo a Congregação da Causa dos Santos, burlando todas as burocracias

A gloriosa Bailey resolvendo o problema dos remédios inalcançáveis pela chave que devia abrir e não abre, me arrancou muitos: É ISSO AI, TU É FODONA MESMO!!!

Já com a 'Feliz' (A Cristina que há em mim não sabe o nome dela, rs) dizendo: "A Drª Grey está em cirurgia e ela precisa de vc. Ela não está operando, ela está sendo operada." - e a pronta reação da Bailey correndo como se o próprio Deus a tivesse chamado e, com isso, esquecendo o seu próprio trauma, é arrepiante e requenta algumas das minhas fés.

Sobre o parto da Mer, nada a comentar, nenhuma surpresa. Ela continua sendo a mocinha sofrida que tem um estoque de tempestades perfeitas alojadas em seu calcanhar. 

Derek, meu bem, te prometo mares calmos, ventos quentes e sei fazer café e bolo de chocolate, ok? Qualquer coisa... !


Cristina - a 'ouvidora' de corações - que ouve muito bem o seu e deixa que esta seja a voz que impera, que importa, que grita mais forte e ensurdece inclusive a voz do seu amor pelo Owen. Cristina, eu sempre quis ser você e sigo te amando!

Pra terminar eu só quero dizer que a Bailey não merece que o Webber não acorde. Nós também não. Por isso, Shonda, esperarei confiante pelo momento de vê-lo acordando. Afinal, ele apenas tomou um choquinho sem maiores complicações, certo?


*Desculpem eu ainda não me recuperei da morte do Sloan e da Lexie.



- Fabi Anselmo